Infor Rede Vale, sexta-feira, 09 de agosto de 2019
Primeira presa pela Operação Lava Jato, ainda em 2014, a doleira Nelma Kodama afirma que havia pressão para que o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT) fosse citado nas delações premiadas de outros presos pela Polícia Federal.
A matéria é do Jornal Gazeta de Taubaté, desta sexta-feira (09).
Natural de Taubaté, Nelma teve sua pena extinta recentemente, beneficiada por um indulto concedido em 2017 pelo ex-presidente Michel Temer (MDB).
“O Lula era o assunto. Eu não sou PT, não estou falando sobre política e sim sobre crime. Todo crime precisa ter prova e não houve prova. Cadê o cadáver?”, disse, em entrevista para a Rádio Bandeirantes, afirmando que havia uma proposta de delação premiada para quem falasse possíveis provas contra o ex-presidente. “Havia esse tipo de conversa, claro, por parte das pessoas que queriam sair [da prisão]”, disse.
Segundo ela, era comum que os detidos mentissem em depoimentos, em busca de penas mais brandas. “Quando você está preso, você faz qualquer coisa. Chega a um ponto que você fala até da sua mãe porque a pressão é muito grande, e o sofrimento é muito grande. Nessa altura do campeonato, você acaba falando, às vezes, até o que você não tem e o que você não deve. Certamente [pessoas mentiram em depoimento], senão você não sai”, afirmou na entrevista.
OPERAÇÃO.
Nelma ganhou notoriedade ao ser presa em março de 2014, tentando embarcar para a Itália com 200 mil escondidos na calcinha. Ela ganhou o apelido de ‘Dama do Mercado’, e foi condenada a 18 anos de prisão pelo então juiz federal Sérgio Moro, hoje ministro da Justiça, por lavar mais de R$ 220 milhões da Petrobrás.
Essa semana, ela tirou sua tornozeleira eletrônica e até publicou um ‘tutorial’ em seu perfil no Instagram.
Saiba mais
O juiz Danilo Pereira Júnior, da 12ª Vara da Justiça Federal, em Curitiba, repreendeu em um despacho nesta quinta-feira (8) a publicação de um vídeo em redes sociais da doleira Nelma Kodama, condenada na Operação Lava Jato, ensinando a retirar a tornozeleira eletrônica.
Na terça-feira (6), o magistrado autorizou que ela mesma fizesse a retirada do equipamento, usado desde junho de 2016. O juiz também deu prazo de cinco dias para a doleira devolver a tornozeleira à Justiça Federal.
Conforme o despacho, Nelma divulgou um tutorial de retirada, "disponibilizando em diversos meios de comunicação". No Instagram, por exemplo, ela fez um vídeo ao vivo.
Confira a matéria na íntegra acesse: Juiz repreende doleira condenada na Lava Jato após vídeo em rede social ensinando a retirar tornozeleira












