Infor Rede Vale, Quarta-feira 14 de Agosto de 2018
Os dez parlamentares envolvidos no escândalo reduziram drasticamente os gastos nas viagens oficiais após o jornal ingressar com a ação judicial que garantiu acesso aos documentos com as notas fiscais das despesas
Por Julio Codazzi / Gazeta de Taubaté
julio.codazzi@gazetadetaubate.com.br
Os dez vereadores envolvidos na ‘Farra das Viagens’ reduziram os gastos com viagens oficiais após o jornal protocolar na Justiça a ação que, posteriormente, garantiu acesso aos relatórios desses deslocamentos.
Foi com base nesses documentos que o jornal descobriu que os parlamentares inflavam os gastos nas notas fiscais para engordar os valores que receberiam como ressarcimento.
A ação foi apresentada no dia 5 de setembro de 2017 na Vara da Fazenda Pública de Taubaté. A decisão saiu em julho de 2018.
Um dos exemplos mais claros dessa redução de gastos é o do vereador Jessé Silva (SD), ‘campeão’ de despesas com viagens no ano passado.
Entre janeiro e agosto de 2017, Jessé recebeu R$ 5.773,09 para ressarcir despesas de viagens, o que representa uma média de R$ 721,63 por mês. De setembro de 2017 a julho de 2018 foram R$ 266,46, uma média de R$ 24,22 por mês.
REDUÇÃO/ Dois dos vereadores citados no escândalo não solicitaram nenhum ressarcimento de despesas de viagens de setembro de 2017 a julho de 2018. São eles: Alexandre Villela (PTB), que havia recebido R$ 239 de janeiro a agosto de 2017, e Bobi (PV), com R$ 439,93 no mesmo período.
De janeiro a agosto de 2017, Douglas Carbonne (PCdoB) recebeu R$ 2.466,12, o que representa uma média mensal de R$ 308,26. De setembro de 2017 a julho de 2018 foram R$ 910,09, ou média de R$ 82,73 por mês.
Nos oito meses anteriores à ação, Vivi da Rádio (PSC) recebeu R$ 1.522,42, uma média de R$ 190,30 a cada mês. Nos 11 meses posteriores foram R$ 698,82 (média de R$ 63,52 por mês).
A média mensal de ressarcimentos a Bilili de Angelis (PSDB) passou de R$ 163,84 para R$ 48,71 – foram R$ 1.310,76 de janeiro a agosto de 2017 e R$ 535,81 de setembro de 2017 a julho de 2018.
Presidente da Câmara e responsável por autorizar todos os ressarcimentos, Diego Fonseca (PSDB) recebeu R$ 1.401,95 de janeiro a agosto de 2017 (média mensal de R$ 175,24) e R$ 578,03 de setembro de 2017 a julho de 2018 (média mensal de R$ 52,54).
A média mensal de Dentinho (PV) passou de R$ 109,23 para R$ 16,09 – os gastos antes da ação somaram R$ 873,88, e os posteriores, R$ 176,99.
A média mensal de despesas de Gorete Toledo (DEM) caiu de R$ 156,74 para R$ 100,74 – os gastos foram de R$ 1.253,93 no primeiro período e de R$ 1.108,17 no segundo.
Já Graça (PSD) gastou R$ 340,56 antes da ação do jornal (média mensal de R$ 42,57) e R$ 346 depois (média mensal de R$ 31,45).
Gastos gerais da Câmara com viagens também tiveram queda
De janeiro a agosto de 2017, a Câmara de Taubaté gastou R$ 158.211,86 com despesas de viagens. Esse número soma o ressarcimento de despesas dos 19 vereadores e o pagamento de diárias a servidores. A média foi de R$ 19.776,48 por mês.
De setembro de 2017 a julho de 2018, o gasto foi de R$ 108.392,20, uma média de R$ 9.853,83 por mês. Ou seja, o gasto médio mensal com viagens caiu 50%.
Contando apenas os gastos com ressarcimento de despesas dos vereadores, a queda foi ainda maior. De janeiro a agosto de 2017, os parlamentares receberam R$ 16.670,46 para ressarcir despesas com viagens, uma média de R$ 2.083,80 por mês. De setembro de 2017 a julho de 2018, foram R$ 6.045,62, uma média de R$ 549,60 por mês. Ou seja, a despesa média mensal caiu 73%.

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