Infor Rede Vale, Quinta-feira 09 de Agosto de 2018
Itens como bandeja de pé de moça, cocada, copos de sorvete da Häagen-Dazs, barras de chocolate e até caixa com seis trufas, comprada em Campos do Jordão, foram adquiridos com dinheiro público em viagens oficiais
Por Julio Codazzi / Gazeta de Taubaté
julio.codazzi@gazetadetaubate.com.br
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Além do esquema usado pelos vereadores para ‘inflar’ as notas fiscais e garantir mais verba de ressarcimento da Câmara, a ‘Farra das Viagens’ mostra outro dado curioso: a compra de doces de diversos tipos com o dinheiro público.
Esse tipo de despesa não era expressamente vedado na norma interna vigente à época do caso – as notas fiscais são relativas a processos de viagens oficiais de janeiro a maio de 2017 –, que citava apenas que o ressarcimento cobriria gastos com “alimentação”.
No entanto, a prática mostra o uso de verba pública para despesas com itens que não são indispensáveis em uma refeição.
A vereadora que mais registrou gastos dessa natureza foi Gorete Toledo (DEM).
Em uma viagem a Campos do Jordão, por exemplo, a parlamentar apresentou uma nota pela compra de uma caixa com seis trufas em uma doceria.
Em outras viagens, para São Paulo, a vereadora do DEM registrou gastos com itens como bandeja de pé de moça, cocada e dois copos de sorvete da Häagen-Dazs.
Outra vereadora, Graça (PSD), em uma só refeição registrou um pudim de doce de caramelo, um Toblerone e uma barra de chocolate – isso depois de comer dois pedaços de pizza, um kibe e uma sopa, e tomar uma refrigerante e uma água.
Além desses exemplos, há vários casos de consumo de chocolate, balas e chicletes.
Desde o dia 31 de julho a reportagem questiona Gorete e Graça sobre essas notas fiscais, mas não houve resposta. O presidente da Câmara, Diego Fonseca (PSDB), também não comentou se considera apropriado o uso de verbas públicas para o consumo de doces e outros itens tidos como dispensáveis.
ESCÂNDALO/ O caso da ‘Farra das Viagens’ foi revelado pelo jornal no mês passado. Uma das artimanhas consistia em apresentar notas fiscais com despesas de mais de uma pessoa, o que é proibido. Um vereador, por exemplo, diz ter comido quatro rodízios em uma refeição.
Outra irregularidade consistia em apresentar notas fiscais com valores acima do razoável (até R$ 424) e com consumo de quantidade improvável de comida (até 4,4 quilos).
Os dez vereadores citados no escândalo são investigados pela Promotoria do Patrimônio Público, na esfera cível, e pela Polícia Civil, na esfera criminal. Também foram denunciados em um processo interno, que pode levar à cassação dos mandatos na Câmara.

Nessa viagem a Campos do Jordão, Gorete Toledo comprou uma caixa com seis trufas

Nessa viagem a São Paulo, a vereadora do DEM comprou uma bandeja de pé de moça

Nessa viagem a São Paulo, Gorete Toledo comprou uma cocada

Nessa viagem a São Paulo, Gorete Toledo comprou dois sorvetes da Häagen-Dazs

Nessa viagem, em uma só refeição, Graça registrou um pudim de doce de caramelo, um Toblerone e uma barra de chocolate – isso depois de comer dois pedaços de pizza, um kibe e uma sopa, e tomar uma refrigerante e uma água
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