Infor Rede Vale, quinta-feira, 10 de janeiro de 2019
A AUTÓPSIA DA ‘FARRA’
Levantamento de despesas da Câmara de Taubaté em 2017 e 2018 mostra começo, meio e fim da ‘Farra das Viagens’
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| Câmara Municipal de Taubaté |
A conclusão do levantamento sobre os gastos com viagens oficiais da Câmara de Taubaté em 2017 e 2018 é praticamente uma confissão de culpa — embora nem precisasse, diante de tantas provas — dos vereadores envolvidos na ‘Farra das Viagens’, escândalo revelado pelo jornal em julho passado.
Afinal, se os parlamentares não cometeram nenhuma irregularidade (como eles afirmam publicamente), por que eles começaram a reduzir os gastos com viagens após o jornal ajuizar uma ação para pedir à Justiça acesso aos relatórios desses deslocamentos?
E ainda: se os vereadores não cometeram mesmo nenhuma irregularidade, por que os gastos com viagens caíram ainda mais depois que a Justiça determinou a divulgação dos relatórios e o escândalo foi revelado pelo jornal?
Se ainda restava alguma dúvida a alguém — apesar de o jornal já ter publicado as centenas de notas com gastos inflados que eram usadas pelos vereadores para engordar o valor que receberiam como ressarcimento –, o levantamento detalhado de despesas por período mostra que a ‘farra’ era um esquema generalizado na Câmara e que, graças a uma imprensa fiscalizadora e a uma população que se mostrou indignada com o que viu, parece ter chegado ao fim.
Esse levantamento, esmiuçado em reportagem publicada na página 3 da edição dessa quinta-feira, mostra que de janeiro a agosto de 2017, antes do ajuizamento da ação, o gasto médio mensal da Câmara com viagens era de R$ 19.787,85, sendo R$ 2.095,18 para vereadores e R$ 17.692,67 para servidores.
De setembro a dezembro de 2017, após o jornal ajuizar a ação, o gasto médio mensal do Legislativo caiu para R$ 11.433,02, sendo R$ 633,60 para parlamentares e R$ 10.799,42 para servidores.
A queda continuou no período de janeiro a julho de 2018, quando o gasto médio mensal da Câmara foi para R$ 8.952,96, sendo R$ 508,83 para vereadores e R$ 8.444,12 para servidores.
De agosto a dezembro de 2018, período após o escândalo ser revelado, o gasto médio mensal da Câmara despencou para R$ 2.179,16, sendo R$ 45,30 para vereadores e R$ 2.133,85 para servidores.
Os números não permitem outra conclusão. Nem as notas fiscais. Com a palavra, o MP.
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