quarta-feira, 22 de agosto de 2018

‘Farra das Viagens’ rendeu R$ 16,2 mil para vereadores em 19 meses

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Infor Rede Vale, Quarta-feira 22 de Agosto de 2018


Levantamento feito pelo jornal com base nos 532 relatórios de viagens oficiais já divulgados pela Câmara, referentes ao período entre janeiro de 2017 e julho de 2018, detectou 126 notas fiscais irregulares; elas foram apresentadas por 13 vereadores e um suplente
Por Julio Codazzi / Gazeta de Taubaté
julio.codazzi@gazetadetaubate.com.br

Veículo da Frota Oficial da Câmara Municipal de Taubaté

As notas fiscais irregulares detectadas pela reportagem no caso da ‘Farra das Viagens’ renderam ressarcimento de R$ 16.285,98 aos 13 vereadores e um suplente de parlamentar envolvidos no escândalo.
O novo levantamento feito pelo jornal leva em consideração os 532 relatórios de viagens oficiais já divulgados pela Câmara, que compreendem o período entre janeiro de 2017 e julho de 2018.
Ao todo, foram detectadas 126 notas fiscais irregulares, algumas de uma mesma viagem.
O esquema consistia na apresentação de notas fiscais com refeições de mais de uma pessoa (como quatro rodízios em uma só refeição), com consumo de quantidade improvável de comida (até 4,4 quilos por apenas uma pessoa) ou pratos com valores acima do razoável (até R$ 424).
Dessa forma, os vereadores inflavam os gastos ocorridos nas viagens e engordavam o montante que receberiam da Câmara como ressarcimento.


RANKING/ O vereador que apresentou o maior número de notas irregulares foi Jessé Silva (SD), com 32. Elas renderam um reembolso de R$ 5.354,72.
Na sequência aparecem os parlamentares Douglas Carbonne (PCdoB), com 19 notas irregulares e R$ 2.720,34 de ressarcimento por elas, e Vivi da Rádio (PSC), com 17 notas irregulares e R$ 1.713,45 de reembolso por elas.
Outros dois vereadores receberam mais de R$ 1.000 por notas irregulares: Bilili de Angelis (PSDB), com reembolso de R$ 1.318,07 por 11 notas, e Gorete Toledo (DEM), que recebeu R$ 1.174,54 por 10 notas.
O próximo do ranking é o vereador Diego Fonseca (PSDB). Como presidente da Câmara, foi o responsável por autorizar o pagamento de todas as notas irregulares no período. Dessas, 11 foram do próprio tucano, que recebeu R$ 908,31 por elas.
Digão (PSDB) recebeu R$ 613,87 por seis notas irregulares. Com quatro notas irregulares cada, Bobi (PV) recebeu R$ 374,23, Dentinho (PV) embolsou R$ 391,80 e João Vidal (PSB) recebeu R$ 427,30.
Com três notas irregulares cada, o suplente Fião Madrid (PSDB) recebeu R$ 507,18, e Graça (PSD) embolsou R$ 382,57.
Fecham a lista, com uma nota irregular cada, Alexandre Villela (PTB), que recebeu R$ 239,e Nunes Coelho (PRB), que embolsou R$ 160,60.
Escândalo é investigado pelo MP e também pela Polícia Civil
Revelada pelo jornal em julho, a ‘Farra das Viagens’ é investigada pelo Ministério Público, na esfera cível, e pela Polícia Civil, na esfera criminal.
Na esfera cível, segundo especialistas ouvidos pela reportagem, os vereadores cometeram improbidade administrativa. Se indiciados e condenados, podem perder a função público, terem os direitos políticos suspensos por até 10 anos, pagarem multa e devolverem os valores recebidos indevidamente.
Na esfera criminal, o inquérito investiga se ficou caracterizado peculato (pena de reclusão de dois a 12 anos). Especialistas ouvidos pela reportagem afirmaram que também houve estelionato (reclusão de um a cinco anos) e falsidade ideológica (reclusão de um a três anos).
Os vereadores também foram alvo de uma denúncia na Câmara, que pode resultar na cassação dos mandatos. A tramitação não foi informada pelo Legislativo.
Vereadores citados negam ter cometido irregularidades nas viagens oficiais
Dos 13 vereadores e um suplente de parlamentar citados no escândalo, 12 negam ter cometido qualquer irregularidade.
São eles: Bilili de Angelis (PSDB), Bobi (PV), Dentinho (PV), Diego Fonseca (PSDB), Digão (PSDB), Douglas Carbonne (PCdoB), Gorete Toledo (DEM), Graça (PSD), Jessé Silva (SD), João Vidal (PSB), Nunes Coelho (PRB) e Vivi da Rádio (PSC).
Alexandre Villela (PTB) ainda não se pronunciou sobre o caso. O suplente Fião Madrid (PSDB) não foi localizado pela reportagem para comentar as irregularidades.
Sem considerar o suplente, o número de vereadores envolvidos representa 68% do total de parlamentares, já que a Câmara tem 19 cadeiras.
Apenas seis vereadores não foram citados no escândalo: Boanerge dos Santos (PTB), Guará Filho (PR), Loreny (PPS), Neneca (PDT), Noilton Ramos (PSL) e Orestes Vanone (PV). 


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