Infor Rede Vale, sábado, 20 de janeiro de 2018
Por Professor Silvio Prado
Lula não aceita morrer
Moro, Rede Globo, e toda elite brasileira querem prender Lula. De manhãzinha, os camisas pretas da PF podem invadir seu apartamento e levá-lo, como se faz com negros e pobres em geral, promovendo triste espetáculo onde um senhor que já passou dos setenta acabará cruelmente devorado pelas lentes dos bandidos da Globo e de toda máfia televisiva.
Na noite desse dia, Willian Bonner nem fará sexo com a nova mulher,pois terá pelo menos cinco mil orgasmos a cada segundo de Jornal Nacional.Será o êxtase supremo, a consagração do subjornalismo a serviço da barbárie e da estupidez humana.
Se fosse no reinado de dona Maria, a Louca, após fulminante julgamento Lula seria enforcado numa grande solenidade pública, acompanhado de banda de música, fogos, caminhadas pelas ruas centrais de São Paulo ou Curitiba, com gentalha tipo Malafaia e Feliciano, junto com algum padreco fanático da Canção Nova, cobrando arrependimento do condenado e buscando salvar sua alma inevitavelmente perdida para o Diabo do comunismo, bolivarianismo e outros tantos ismos que apavoram e atordoam a imensa massa idiota que ainda não foi informada sobre o final da Guerra Fria.
Como Tiradentes, o castigo contra Lula seria exemplar. Ele teria o corpo retalhado em mil pedaços e distribuídos por lugares estratégicos do país, inclusive no estádio Vila Euclides, onde o petista teve, desafiando os generais da ditadura sua grande aparição nacional.
A cabeça, por sugestão do justiceiro Moro, ficaria espetada apodrecendo numa praça de Garanhuns ou São Bernardo,exemplo horroroso que desestimularia atos de rebeldia vindos de baixo e contra interesses de quem pelo toque do berrante global controla gente desprotegida de neurônios.
Todas as sedes dos diretórios do PT pelo país inteiro seriam derrubados e depois salgados. Militantes do partido, seriam amaldiçoados até o décimo quinto milênio de nossa história. Seus descendentes, além do pecado original atribuído pelo catolicismo, nasceriam também marcados pela maldição lançada pelo justiceiro de Curitiba. Não teriam direito ao emprego público e, mesmo suas crianças, se quisessem estudar deveriam ser alfabetizadas pelos pais. Nem à vacinação teriam direito.
Enfim, pelo que parece o mesmo espírito que norteou o reinado de dona Maria Louca em Portugal do século XVIII ainda deseja fazer frutos por aqui 230 anos depois. Está vivo, mostra seus dentes podres nas redes sociais e se acomoda risonho sob as togas canalhas dos tribunais brasileiros.
Toda essa horrível trama que envolve o ex-presidente Lula só é possível num país onde pouquíssima gente privilegiada nutre e estimula ódio ao povo, persegue esse mesmo povo pela fome, pela precarização do serviço público, pela brutalidade de sua polícia assassina, pelo analfabetismo e através de uma política que impede a organização popular e a soberania nacional.
Essa gente privilegiada instiga violências, vive dela, e só se satisfaz com um povo cabisbaixo e resignado diante da riqueza escandalosa de tão poucos. Homens raros como Lula causam tremores e desconcertam o projeto dominador elitista. Por isso, em toda a nossa história eles foram perseguidos e destruídos moral ou fisicamente. Lula é o nome da vez. De um jeito ou de outro, querem matá-lo. Mas quem disse que ele aceita morrer?
Silvio Prado
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