Infor Rede Vale, Sábado 21 de Julho de 2018
Dos 89 relatórios de viagens analisados pela reportagem, em ao menos 24 deles foi detectada a irregularidade, com gastos de duas ou mais pessoas ressarcidos como se fossem apenas de um vereador; em apenas cinco meses, fraude foi cometida por 8 dos 19 parlamentares
Por Julio Codazzi / Gazeta de Taubaté
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| Foto: CMT/Divulgação |
Dos 89 relatórios de viagens analisados pela reportagem – todos do período de janeiro a maio de 2017 –, em ao menos 24 deles foi detectado o esquema em que o vereador pedia ressarcimento por despesas de alimentação de outras pessoas.
A irregularidade atinge pelo menos oito dos 19 parlamentares, que conseguiam engordar ainda mais a já suculenta verba para as viagens oficiais.
Os vereadores podem pedir o ressarcimento de despesas que somem até 1,5 UFMT (Unidade Fiscal do Município de Taubaté). Em 2017, isso representava R$ 275,73. Esse ano, já passou para R$ 280,77.
Para comprovar as despesas, que normalmente são feitas com alimentação, os parlamentares precisam apresentar notas fiscais. Ou seja: eles gastam na viagem e pedem o ressarcimento depois.
Com os funcionários é diferente. Antes das viagens, eles recebem diárias, no valor de 1 UFMT – R$ 183,82 no ano passado, e R$ 187,18 esse ano. Se a viagem durar menos de 6 horas, o valor precisa ser devolvido. Caso contrário, pode ser gasto com alimentação, sem necessidade de comprovação.
CAMPEÃO/ Das 24 irregularidades detectadas, dez foram cometidas por um mesmo vereador: Jessé Silva (SD), que no ano passado ficou notabilizado como o mais gastador dos parlamentares. Ele foi responsável, sozinho, por 30% das despesas com viagens de 2017.
No dia 19 de janeiro de 2017, por exemplo, Jessé viajou para São Paulo, acompanhado de um assessor e de um motorista. Iria encontrar um vereador da capital, na Câmara local.
A viagem começou às 8h e terminou às 17h. Segundo nota fiscal apresentada, às 13h30 Jessé teria comido três refeições e duas sobremesas, e tomado dois refrigerantes e um café. Total de R$ 130,06.
Antes disso, às 10h20, o vereador já teria gastado R$ 46 para comer um pedaço de pizza, um pão de batata e um pão de queijo, e tomar um café, um ovomaltine e uma água tônica.
Depois da viagem, pediu ressarcimento de R$ 176,06. Assim como ocorre em todos os casos, a solicitação foi remetida ao presidente da Câmara, Diego Fonseca (PSDB). O tucano analisou as duas notas e autorizou o pagamento.
As outras nove irregularidades também foram cometidas por Jessé em viagens à capital.
Em duas das viagens, o vereador apresentou notas com dois pratos. Em seis vezes, diz ter comido três refeições. Em outra delas, o recorde: uma nota com o registro de quatro rodízios.
O ressarcimento de R$ 176,06 foi o menor dos casos. Em outras três viagens, Jessé estourou o limite de gastos e recebeu o teto: R$ 275,73.
FRAUDE/ Outros dois vereadores se beneficiaram três vezes do esquema no período: Douglas Carbonne (PCdoB) e Vivi da Rádio (PSC).
O comunista, por exemplo, pediu ressarcimento de R$ 267,27 após uma viagem à Ilhabela em que diz ter comido, entre outras coisas, três pratos de filé de frango, dois filés de pescada e um espaguete – isso apenas no almoço.
Já Vivi teria comido em São Paulo, de uma só vez, seis sanduíches e um pedaço de pizza, além de refrigerantes, sucos e café. Gasto na viagem: R$ 138.
Outros três vereadores – Bilili de Angelis (PSDB), Bobi (PV) e o até o presidente da Câmara, Diego Fonseca – apresentaram notas com duas ou mais refeições em duas viagens.
Em uma viagem à capital, por exemplo, acompanhado de um motorista e do diretor-geral do Legislativo, Kelvi Soares, Diego Fonseca diz ter comido dois rodízios no almoço: R$ 148,12.
Completam a lista Dentinho (PV) e Gorete Toledo (DEM). Ambos apresentaram notas fiscais com mais de uma refeição em uma viagem naquele período.
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