Infor Rede Vale, Sexta-feira 17 de Agosto de 2018
Por Imprensa, Boletim Legislativo
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| Guilherme, Lisete, Roberta Mendes, Juliana Coelho, Boanerge, Ariane, Sabrina, Fabiana, Marina e Guilherme Almeida |
Estudante da Escola José Ezequiel de Souza, Guilherme Gomes de Almeida deu o testemunho de sua experiência com a depressão e defendeu a importância de se discutir o tema no ambiente escolar, assim como da oferta de atendimento especializado aos alunos. “Quando eu estava em depressão, não tinha como recorrer a minha escola. Falta informação, e precisamos de um profissional. Seria bacana se caminhássemos para uma educação diferente, que sejamos vistos como pessoas.”
Representando a Sociedade Brasileira de Psiquiatria, a psiquiatra Sabrina Cabral alertou que, segundo a Organização Mundial da Saúde, a depressão será, em 2020, a segunda patologia que causa invalidez. “Depressão vai muito além de alteração no humor. Se não tratada, causa sofrimento à família e até à sociedade. Em torno de 11% dos quadros depressivos podem ir para o suicídio.”
Da Associação Valeparaibana de Psiquiatria, a psiquiatra Lisete de Souza Vidotto Caricati chamou atenção para valorização das questões emocionais das crianças e adolescentes.
Em relação aos adolescentes, registrou que o suicídio é a segunda causa de morte nessa faixa etária, chamando a reflexão para o bullying. “Temos que cobrar os jovens que melhorem o padrão de convivência. Devemos pensar em formas de prevenção, tendo a escola como espaço de acolhimento e diálogo.”
Do Conselho Regional de Psicologia, Fabiana Gonçalves colocou a depressão como demanda de saúde pública, que “fala de psiquismo, atinge o corpo, reverbera no social, familiar, em competências relacionais, e se apodera de tudo o que cerca a pessoa.” Ao focar a questão nos adolescentes, que tantos lutos vive nesta fase da vida, com mudanças no corpo e nas relações, ela deixou uma mensagem positiva, de que é possível prosseguir, apesar da doença.
Representante do Departamento de Psicologia da Universidade de Taubaté, Guilherme Osamu Yanagida refletiu sobre a dificuldade de aceitação de informações sobre depressão e considerou que o problema tem que ser encarado socialmente. “Se não olharmos para nós mesmos, teremos dificuldade de enfrentar não só a depressão, mas todos os transtornos mentais. Precisamos ter a noção da importância de falar sobre o assunto nas escolas, conscientizar pessoas que a banalização da depressão é errada.”
Representante do Núcleo de Psicologia da Polícia Militar, a segundo tenente PM Marina Hungria relatou a ocorrência do problema entre os profissionais da Polícia, destacando a importância de acolhimento e atendimento multidisciplinar. “Lidar com esse problema é um intenso desafio, porque é uma população peculiar, uma profissão que se é 24 horas, mesmo de folga. Isso, somado muitas vezes a problemas familiares, contribui ainda mais para o sofrimento psicológico.”
Representando a Secretaria de Educação, a psicóloga Ariane de Morais Panonte registrou o trabalho da equipe de atendimento à diversidade escolar, formada por psicólogos, pedagogos e assistentes sociais, que atende demandas específicas, como indisciplina, frequência irregular, violência, uso de substâncias líticas ou ilícitas. Afirmou que os professores são orientados a se aproximarem dos alunos e os conhecerem para identificação de casos de depressão, e encaminhamento para a área de saúde. Afirmou ser um desafio da escola viabilizar discussões sobre temas atuais.
Enfermeira do Caps (Centro de Apoio Psicossocial), Ida Aparecida Lima corroborou a defesa da depressão como problema de saúde pública. Explicou que na rede municipal, envolvendo vários serviços de saúde, há tratamentos em grupo e individuais, com uso ou não de medicamentos, dependendo do grau da doença.
“É importante pensar no contexto de saúde pública e saúde mental. Saúde e cidadania são indissociáveis, por isso a importância da rede de atenção psicossocial.”
Psicóloga da Secretaria de Saúde, Claudia Fabiana de Jesus propôs a reflexão sobre o que está acontecendo com a sociedade e com a construção do psiquismo do ser humano que está levando ao aumento do número de pessoas com depressão. “O perigo é quando não relaciono sinais da depressão com a vida da pessoa, é como se ela fosse invadida por uma coisa que ela não tem nada a ver com isso.” Defendeu a criação de espaços, projetos sociais para expressão humana que envolvam artes, esporte e natureza.

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