Olá pessoal!
Hoje vamos apreciar esta excelente Lembrança de Taubaté em Outrora tendo especificamente a falar sobre "CLAUDIO TIFU".
Esta foto/matéria foi postada por Jose Diniz Junior no Grupo "Resgatando Taubaté , Ontem, Hoje e Sempre".
Quando ele nasceu, foi batizado como Claudionor. Não sabia que não chegaria a completar 50 anos. Mas conheceria a glória...e tragédia. Senta que lá vem história.
Na foto que você está vendo nesta gloriosa quarta feira, em que o lixo será varrido do Brasil, temos: o saudoso metalúrgico Luiz Carlos Tau, o goleiro e policial Barrela e meu personagem cujo nome está no título.
Claudionor era um menino que recebeu o dom de jogar futebol. Por causa desse dom, foi levado ao velho estádio do EC Taubaté na praça Monsenhor Silva Barros, onde agradou e foi contratado como profissional.
Nas tardes domingueiras de futebol, Claudionor caiu nas graças da torcida por sua valentia em defender seus domínios dentro de campo, como quem defendia um prato de comida. O que no caso dele era a pura verdade. Futebol era a única coisa que sabia fazer.
Claudionor tinha uma maneira única de correr, com os dois dedos do polegar levantados para cima, como se corresse fazendo o sinal de "positivo".
E não dava refresco para os adversários que ousassem fazer graça na lateral do campo que lhe mandaram defender.
Com tais qualidades, a Portuguesa de Desportos, que disputava o Torneio Rio-SP, interessou-se em contratá-lo, e lá foi Claudionor para um período de testes no campo do Canindé.
Claro que agradou. Mas sua contratação emperrou quando pediram um dinheiro alto pelo seu "passe" e acabou voltando ao EC Taubaté.
Ele não sabia, mas seu tempo de sorte começava a despencar.
O Alviazul foi rebaixado, pediu uma licença na Federação para construir o novo Estádio, e Claudionor - sem ter como praticar o dom que recebeu, voltou-se à outro esporte. Aquele que vem dentro de garrafas.
Cujos times interessados nele, eram os seguintes: Tatuzinho, Praianinha, Cinquenta e Um, Velho Barreiro.
Abandonado pela família, perambulava pelas ruas, virou mendigo - veja a foto.
Seu único protetor chamava-se Joaquim Moreira - o Moreirinha - que lhe dava novas roupas e o mandava tomar banho quando ele aparecia no novo Estádio.
Quis o destino que eu assistisse sua última atividade dentro de um campo de futebol.
Banho tomado, alimentado, roupas novas, sapatos sociais, Claudionor foi até o Estádio vazio numa manhã, e como se disputasse um jogo de futebol, corria de um lado à outro na lateral do campo, gesticulando e falando com "companheiros" que já não estavam ao lado dele. Delirava.
Cansado, já não tinha a garra dos bons tempos, deixou o gramado, procurou o portão de saída, e se foi.
Nos últimos dias Claudionor disputava com outros mendigos os escombros da velha fábrica da CTI na Avenida 9 de Julho, para dormir.
Uma noite, após mamar um litro e meio de cachaça (como diz a letra de uma música) sentiu-se poderoso e deu uns sopapos num colega que brigou com ele pelo canto de dormir.
Julgando-se vencedor, deitou para dormir. E nunca mais acordou.
O mendigo agredido, passou um cordão no pescoço de Claudionor e o matou por asfixia.
A última homenagem que restou ao antigo craque, foi a Bandeira Alviazul que Joaquim Moreira colocou sobre o esquife dele. A mesma Bandeira que o saudoso administrador clocava sobre aqueles que ele julgava merecer a honraria.
Bandeira que Joaquim Moreira levou dobrada sobre o peito dele quando o sepultamos no Cemitério da Venerável Ordem Terceira.
Se o locutor Fiori Giglioti fosse vivo, diria: "Fecham-se as cortinas e termina mais um espetáculo".
Assim se foi Claudionor, o Cláudio Tifu que foi ídolo da torcida de Taubaté um dia. Mas quem se lembra dele?
"Se você sabe um pouquinho mais sobre esta época e queira compartilhar conosco a sua história ou até mesmo de um parente próximo que vivenciou este período, deixe no comentário abaixo da postagem o que de bom esta época lhes proporcionaram".
Venha fazer uma Viagem no tempo!
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