Infor Rede Vale, sexta-feira, 20 de setembro de 2019
Gestor da prefeitura alega que denúncia de panfletagem irregular foi anônima, mas terceirizados dizem que partiu de vereador
Panfletos. André Guisard (esq) e Jarbas Nogueira (ao fundo) no DP - Foto: / Caíque Toledo
Panfletos. André Guisard (esq) e Jarbas Nogueira (ao fundo) no DP - Foto: / Caíque Toledo
Os envolvidos na condução do publicitário André Guisard à delegacia, em fevereiro, deram depoimentos contraditórios sobre a ação.
O fato foi constatado pela reportagem após a análise do relatório final da sindicância interna aberta pelo governo Ortiz Junior (PSDB) para investigar o caso.
A principal contradição tem relação com o envolvimento de vereadores ligados à 'Farra das Viagens' no chamado que resultou na ação. Ouvido pela sindicância em 3 de abril, Jarbas Nogueira, gestor da área de Segurança e Vigilância, que comandou a operação, disse que a denúncia de suposta panfletagem irregular foi feita de forma anônima para o telefone da GCM (Guarda Civil Municipal), pelo 153.
Uma semana antes, no entanto, no dia 26 de março, em depoimento à Polícia Civil, os dois funcionários da empresa terceirizada Suporte - que prestam serviço de vigilância patrimonial e que participaram da ação - deram uma versão diferente. Segundo Ricardo Willians Cabral, Jarbas disse que "estavam panfletando contra os vereadores e um vereador passou, viu e pediu providências".
Carlos Bassini Rodrigues também afirmou que o gestor de Segurança já sabia que os panfletos eram contra os parlamentares.
Outra contradição tem relação com a condução de Guisard para a delegacia. À sindicância, Jarbas alegou que o publicitário, "por livre e espontânea vontade, solicitou uma carona para se dirigir até a delegacia para esclarecer o mal entendido", e que não fez ameaças ou mostrou arma de fogo. Já Cabral afirmou à Polícia que o gestor de Segurança disse a Guisard: "você quer ir de livre e espontânea vontade ou quer que eu chame uma viatura para te conduzir, você escolhe".
Sem citar essas contradições, o relatório final da sindicância concluiu, em julho, pelo arquivamento do caso. Essa também foi a conclusão do inquérito criminal que apurou suposto abuso de autoridade. "Não se vislumbrou lastro probatório mínimo para a configuração do crime", apontou o promotor Frederico Augusto Neves Araújo.
A atuação de Jarbas e dos seis vereadores que esperavam pelo publicitário na delegacia também é investigada pelo Ministério Público na esfera cível..
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