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Infor Rede Vale, quinta-feira, 23 de maio de 2019
Vereador de Taubaté é acusado de utilizar termos machistas contra munícipes durante sessão da Câmara
A matéria é do Site MetroPost, por Geysel Rodrigues, publicado em 22 de maio de 2019 às 14:43 . Atualizado em 22;05/2019 às 14:59
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Ao usar a tribuna da Câmara durante a sessão do último dia sete de maio, o vereador Bilili de Angelis (PSDB) proferiu algumas frases consideradas machistas e ofensivas por algumas munícipes. Entre outras coisas, Bilili disse que “a falta de homem em Taubaté estava fogo”, e que algumas mulheres – que protestavam na galeria do plenário – poderiam se resolver com ele na delegacia “embora preferissem estar em outro lugar”. Veja o trecho da fala no vídeo extraído da transmissão feita pela TV Câmara de Taubaté:
Durante a fala na tribuna, o vereador se referiu as pessoas “da plaquinha”, fazendo alusão a algumas mulheres que frequentemente assistem às sessões na Câmara e costumam escrever frases em uma lousa, para que os vereadores possam visualizar a partir do plenário – que é separado da galeria por uma vidraça.
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| As mulheres em questão sempre usam uma lousa para se manifestar em relação à conduta dos vereadores. Imagem: Geysel Rodrigues / Arquivo / MetroPost |
Os envolvidos
O MetroPost entrou em contato com algumas das mulheres que se sentiram ofendidas com as palavras do vereador. Elas procuraram a Delegacia da Mulher de Taubaté para registrar boletim de ocorrência.
Maria Viana destacou ainda que procuraram a Comissão de Ética da Câmara de Taubaté para denunciar a conduta de Bilili. Ela disse ainda que foi orientada pela Delegacia a aguardar o chamado da delegada responsável pela unidade para que elas possam prestar depoimento, e que outras medidas poderiam ser tomadas a partir de então.
Em sua fala na tribuna da Câmara, Bilili alegou possuir imunidade parlamentar, o que permitiria que ele dissesse o que bem entendesse. O MetroPost apurou que este tipo de imunidade é uma garantia constitucional dada aos parlamentares (deputados, senadores e vereadores) para que possam exercer seus cargos com independência e liberdade de expressão. Por exemplo, votos e opiniões sobre outros poderes podem ser proferidos sem que haja riscos de represálias aos políticos.
No caso dos vereadores, é importante destacar que tal imunidade só é válida no território do município representado e no uso do espaço destinado à atividade legislativa, no caso, o plenário da Câmara. A imunidade não abrange, por exemplo, opiniões em espaços como redes sociais ou entrevistas jornalísticas.
Imunidade parlamentar
O MetroPost consultou ainda uma especialista. Diana Bittencourt – advogada pela Faculdade de Campinas (FACAMP). Pós-graduanda em Direito Penal Econômico e Corporativo pelo Instituto de Direito Público (IDP/SP), entre outras especialidades e Membro da Comissão de Direito Penal Econômico da OAB/SP.
Para Bittencourt, a Imunidade Parlamentar “não é absoluta” tendo em vista entendimentos já consolidados em tribunais superiores, “tendo em vista que não abrange manifestações desvinculadas do exercício do mandato”.
A advogada coloca ainda que “a inviolabilidade não protege o parlamentar de eventuais excessos, isto é, não abrange as manifestações divorciadas do exercício do mandato e que não tenham vínculo algum com a função parlamentar por ele desempenhada”.
Em caso de excesso, o parlamentar estaria sujeito à responsabilização civil ou penal, seja para fins de compensação de eventuais danos morais aqueles que se sentirem ofendidos com as palavras proferidas caso não possuam relação com o cargo parlamentar ocupado, ou para fins de persecução criminal de eventuais crimes contra a honra.
De acordo com as autoras da denúncia contra o vereador, elas irão aguardar o parecer da Comissão de Ética da Câmara, bem como o desenrolar da situação na delegacia para prosseguir com as medidas necessárias, na esfera judicial, se for o caso.


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