Infor Rede Vale, terça-feira, 06 de fevereiro de 2018
Diretor-geral do Legislativo e empresa Sistemath, que não foi credenciada no pregão por não apresentar documento exigido no edital, têm versões diferentes sobre o fato; grupo de moradores que havia feito denúncia de direcionamento ao MP levou o caso ao TCE nessa segunda-feira 05/02/2018.
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| Foto: CMT/Divulgação |
A Câmara de Taubaté e uma das empresas que participaram do processo de compra do painel eletrônico com sistema de votação apresentaram à reportagem versões diferentes sobre um dos principais pontos suspeitos da licitação.
Trata-se da inabilitação da Sistemath durante o pregão presencial. A empresa sequer foi credenciada, pois não apresentou o atestado de capacidade técnica exigido no edital, que serviria para comprovar que já havia prestado serviço semelhante anteriormente. Sem concorrentes, a única empresa credenciada, a Visual, venceu o certame com lance de R$ 400 mil.
À reportagem, o diretor-geral do Legislativo, Kelvi Soares, alegou ter havido “falha interna” por parte da empresa. Segundo ele, a Sistemath teria inserido o atestado em um envelope que seria aberto apenas posteriormente, e por essa falha acabou descredenciada.
Já Maurício Esposito, diretor da empresa, reconheceu que a Sistemath não tem tal atestado porque nunca prestou serviço dessa natureza a alguma casa legislativa. Ele não soube explicar, no entanto, por que a firma compareceu ao pregão se já sabia que não atendia as exigências do edital.
EMPRESAS/ Outro ponto mal explicado é por que a Câmara pediu orçamento a duas empresas que não trabalham com painéis eletrônicos com sistema de votação.
Uma delas é a Sistemath. A outra é a Spider Tecnologia. O diretor-geral do Legislativo alegou ter sido informado pelas empresas de que elas teriam tecnologia para prestar o serviço.
As empresas alegaram o mesmo à reportagem, mas reconheceram que não trabalham com sistema de votação. A Spider, por exemplo, informou ter prestado serviço semelhante apenas uma vez, há mais de 20 anos, e com a ajuda de uma parceira.
REPERCUSSÃO/ A denúncia de direcionamento na licitação foi protocolada no último dia 26 por um grupo de moradores, chamado Amatau (Amigos Associados de Taubaté), no Ministério Público. Outra representação foi levada nessa segunda-feira ao TCE (Tribunal de Contas do Estado).
A Câmara e as empresas citadas negam as supostas irregularidades.
Nessa segunda, durante a estreia do painel em sessões ordinárias, o presidente da Câmara, Diego Fonseca (PSDB), defendeu a compra do painel. “Esse sistema gerou muita discussão, e vai gerar mesmo. Aqui é trabalho. Quem não quer trabalhar, deixa o homem trabalhar”, disse. “Aquelas pessoas que estão nos fiscalizando, continuem fiscalizando. Tem que fiscalizar dinheiro público”, completou.

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