A falta de estrutura na Saúde de Rio Preto deixou os pais de Yan, de 4 anos, desesperados, depois de a criança bater a cabeça ao cair de um escorregador, numa altura de três metros, no Parque Ecológico. Foram quatro horas de espera por uma ambulância que o levasse da UPA Jaguaré até a Santa Casa.
O pai da criança, o mecânico Juliano Silvestres Freitas, 32 anos, gravou um vídeo denunciando a situação, que está sendo compartilhado em redes sociais.
O acidente ocorreu na manhã de quinta-feira, 29. O primeiro obstáculo foi a falta de aparelho de raios-X na UPA Jaguaré para examinar o menino. A criança precisava ser transferida para a Santa Casa para fazer exames. Aí surgiu o segundo entrave: não havia ambulância para transportá-lo.
Depois de duas horas de espera, desesperado com a demora para a chegada da ambulância, o pai foi até a central do Samu para cobrar agilidade. Ele usou o celular para filmar que havia inúmeras ambulâncias paradas enquanto seu filho aguardava socorro.
A mãe da criança, Suelen Cristina Silvestres, 30 anos, afirma que ao ver o filho imobilizado na maca queria levá-lo para o hospital, mas foi advertida que era preciso esperar a ambulância.
A mãe da criança, Suelen Cristina Silvestres, 30 anos, afirma que ao ver o filho imobilizado na maca queria levá-lo para o hospital, mas foi advertida que era preciso esperar a ambulância.
“Se levássemos de carro seria por conta e risco nosso. Fiquei muito apavorada, porque ele reclamava de dor de cabeça e como é interno não sabíamos se estava tudo bem. Foi uma agonia”, disse a manicure.
Yan estuda na escola municipal Adelaide Kahuam Medina e se acidentou em um passeio no Parque Ecológico, acompanhado de cerca de 50 alunos e monitorados por duas professoras. Mesmo autorizando o passeio, o pai do menino questiona que havia muitas crianças para dois responsáveis. “Pensei que iria só a sala dele e foram duas. Se eu soubesse, não teria deixado. Foi um acidente, mas é muita criança cheia de energia, ativas, para só duas pessoas cuidarem”.
Ao cair do escorregador, por volta das 10h, o menino foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros e levado até a UPA Jaguaré. Precisou esperar uma ambulância cerca de quatro horas. Segundo a assessoria da Santa Casa, o menino deu entrada no hospital às 13h58.
Com a demora em transferir o menino, o pai foi até a sede do Samu, na Vila Itália, para verificar o motivo. Juliano ficou indignado ao constatar que havia pelo menos oito ambulâncias no local. Ele gravou um vídeo em que mostra veículos parados no pátio do Samu.
Com a demora em transferir o menino, o pai foi até a sede do Samu, na Vila Itália, para verificar o motivo. Juliano ficou indignado ao constatar que havia pelo menos oito ambulâncias no local. Ele gravou um vídeo em que mostra veículos parados no pátio do Samu.
Jogo de empurra
No vídeo, Juliano explica para uma funcionária que o filho aguarda uma ambulância. Aflito, ele pede para falar com o responsável. O coordenador do Samu, Clemente Pezarini Junior, aparece e culpa a Santa Casa pela falta de ambulância. “O caso do seu filho foi eu que regulei. O que você está vendo são Unidades de Suporte Avançado (USA). Estamos com um problema sério, você não tem culpa disso e nem seu filho. Já foram buscar ele lá. As nossas ambulâncias estão ficando presas na Santa Casa, eles prendem porque não têm maca. Nós temos seis ambulâncias rodando, as macas ficam presas e não temos para mandar.”
O provedor da Santa Casa, Nadim Cury, afirmou que não havia nenhuma ambulância no hospital no dia do acidente. Yan permaneceu em observação na Santa Casa e recebeu alta médica na sexta-feira, dia 29.
Saúde investiga demora
Em nota, a Secretaria de Saúde informou que Yan foi prontamente atendido por pediatras de plantão, às 10h53, de acordo com o protocolo de urgência e emergência. “O encaminhamento à Santa Casa foi solicitado para exames complementares e descarte de possíveis traumas”, complementando que “o raio-X da referida UPA está funcionando normalmente, mas no local não é feito raio-X da coluna, por isso o encaminhamento para a Santa Casa.”
Já em relação à demora do atendimento do Samu para transferir o menino, a pasta afirmou que no mesmo dia iniciou a apuração dos fatos, a fim de tomar as providências cabíveis.
A Secretaria de Educação alegou que o passeio ao Parque Ecológico foi autorizado pelos pais. “Foi organizado para duas turmas de Jardim. Participaram cerca de 40 crianças que foram acompanhadas de duas professoras, duas funcionárias da escola e três mães. No Parque, no período da manhã, trabalham cinco monitores.”
O vídeo mostrando o desespero do pai ganhou repercussão nas redes sociais. Veja abaixo.

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